INTERESSE GERAL

A qualidade total nas pequenas empresas

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) quando estatal operava no vermelho. Após ter sido privatizada em 1993, a CSN começou a dar lucro a seus acionistas. Em 2002, ela fechou o ano com um lucro líquido de R$ 296 milhões. Neste mesmo ano, as vendas cresceram 11% e a produção cerca de 13%.
É óbvio que além da reengenharia levada a efeito, como demonstração de uma administração absolutamente perfeita da economista Maria Sílvia Bastos Marques, está uma completa mudança de atitudes em relação ao produto e à linha de produção. O que foi feito na CSN é motivo de orgulho para todos e serve como exemplo para o empresariado nacional buscar a excelência de seu produto.A plataforma dessa mudança de atitudes, em relação ao produto e sua linha de produção, foi a filosofia de Qualidade Total. Todos reconhecemos que a qualidade de um produto ou serviço é um importante diferencial de vendas.

No entanto, a maioria se acomoda em face de um mercado pouco exigente. Contudo, com a globalização, esse mercado teve acesso a produtos e serviços de maior qualidade em relação àqueles que estava acostumado a encontrar. Esses produtos, em sua maioria, vinham do mercado externo e se mostravam extremamente competitivos tanto ao nível de preço quanto à qualidade.
A competitividade, então, aumentou e o empresário passou a ter que competir com um produto ou serviço concorrente, não só de menor preço, como também de maior qualidade. O grande desafio passou a ser: como produzir um produto com melhor qualidade a um custo menor, o suficiente para reduzir o preço final sem perder a margem de lucro?
A resposta veio através dos novos modelos gerenciais que passaram a ter a Qualidade Total como fundamento. O mundo todo já os praticava, mas o empresariado nacional só acordou para eles quando viu sua produção se tornar obsoleta para concorrer com o similar importado.

A maioria das empresas no Brasil adota o modelo japonês de Qualidade Total, pois foi devido a ele que o Japão, devastado por duas bombas atômicas, se transformou na potência econômica que é hoje.
As pequenas empresas, no entanto, não estão ainda em condições de desenvolver um programa desses em face do seu alto custo inicial. Não obstante, uma mentalidade de qualidade deve desde já começar a ser desenvolvida pelo empresário, pois o pequeno empresário não está livre de concorrência. Ao contrário, seu produto por não estar ainda firmado no mercado requer muito mais qualidade do que o concorrente já estabelecido.
A busca dessa qualidade abrange tanto a administração da empresa, como a sua linha de produção. Como o tutoriamento desses programas é muito dispendioso, a solução é começar preparando o "staff" através dos cursos oferecidos pelo SEBRAE. Ao empresário é fundamental o conhecimento da sistemática de qualidade total e por essa razão ele deve ser o primeiro da empresa a freqüentar esses cursos que duram cerca de duas semanas no
máximo. Os horários em que funcionam são adequados à disponibilidade de tempo do empresário e o custo é muito pequeno.

Ao contrário do que a maioria pensa, a Qualidade Total não é possível se apenas o produto final for trabalhado. Na verdade, o processo de Qualidade Total começa com a sensibilização de todos os empregados e não somente com aqueles ligados à linha de produção. Cada um tem que ser o melhor da região naquilo que faz e isso abrange todas as atividades da empresa.
Outro erro, por demais cometido por quem não conhece os fundamentos da Qualidade Total, é achar que o processo busca um produto sem defeitos. Nesse sentido, como a perfeição ainda não é totalmente conseguida, o empresário se contenta com o "status" de seu produto quando, ao compará-lo com o concorrente, percebe que é tão vicioso quanto o seu. A qualidade não é só a ausência de defeitos, mas fundamentalmente é possuir a preferência do consumidor. Sem qualidade, a empresa não consegue competir com seus concorrentes, suas vendas caem e seu lucro desaba.

Finalizando, para que se tenha qualidade em um produto ou serviço ele deve ter um projeto perfeito, não pode ter defeitos, precisa ter preço competitivo, deve ser seguro para quem o utiliza, precisa ser entregue no prazo certo e na quantidade solicitada.

Elaborado por Mendonça & Figueiredo Advogados Associados

Bibliografia:

-CAMPOS, V.F. Qualidade Total-Controle da Qualidade Total, Fundação Christiano Ottoni, Universidade Federal de Minas Gerais, Rio de Janeiro, 1994.
-FREITAS, A. 5S-Conceitos Para Revolucionar o Gerenciamento, Publicação Interna da ALBRÁS, 1991.
-ISHIKAWA, K, Introduction To Quality Control, 3 A Corporation, Tokyo Japan, 1990.
-SEBRAE -RJ, Iniciação À Qualidade Total, Rio de Janeiro, Apostila de Curso, 1996.

 

ELABORADO POR MENDONÇA & FIGUEIREDO ADVOGADOS ASSOCIADOS

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